Segunda-feira, Agosto 11, 2008

the world is in your hands

YOU CAN WALK LIKE WATER
SHINE LIKE A DIAMOND
RING THE BELLS OF FORTUNE
IF YOU DARE
YOU CAN MAKE ANY MOVE YOU
WANNA MAKE
TAKE EVERYTHING THAT YOU CAN
IF YOU DARE
JUST THINK THE WORLD IS IN YOUR
HANDS
STRESS ON MY MIND THINK I'LL END IT
ALL
PEOPLE TELL ME TO STAND TALL
BUT I DON'T WANNA LIVE GOT NOTHING
TO GIVE
THEY DON'T UNDERSTAND FROM WHERE
I COME
MY PAST NOT A PRETTY ONE
SCARS NEVER STARS NOW I'M READY TO
QUIT
AND LET THIS LIFE BE DONE
SOME TELL ME TO HOLD ON TELL ME TO
BE STRONG
BUT THE BATTLE'S TOO LONG
NO FIGHT LEFT IN ME BUT THEY DON'T
COMPREHEND IT
THAT MY WILL IS ALL GONE
NOTHING TO GRASP
HOPE IS A PAST AND MY FAITH IS IN THE
TRASH
SO SAVE THE LOVE THAT YOU THINK I
NEED
I' GOING OUT WITH A BLAST
TROUBLES GOT ME DOWN NEVER GOT A
BREAK
JUST PAIN AND HEARTACHE
NOT LOOKING FOR A REASON TO GO ON
NO MORE
I'VE HAD ALL I CAN TAKE
TIRED OF THE SAME OLD THING SAME
OLD SCENE
DEATH MUST NOW BE KING
I GIVE UP I DON'T WANT TO LIVE UP TO
THE WICKED HOPES OF SOCIETY
SOME SAY EXCEL BUT I STILL
FAIL SO WELL
JUST CALL ME A PRO
REASONS FOR FAILING TRUTH
BE KNOWN
I REALLY DON'T CARE TO KNOW
IT'S TIME TO MOVE ON TIME TO BE
GONE FAREWELL TO MY KING
JUST WANT TO END THIS LOSING TREND
WITH A BULLET AND A SHOT OF GIN
JUST THINK THE WORLD IS IN YOUR
HANDS

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Yamipod e seu 'wrong songnum, quitting'

Detesto software invasivo, que acha que domina o seu PC e o iTunes sem dúvida é um destes.
Um amigo indicou esse Yamipod e a experiência inicial foi boa. Consegui copiar umas musicas e tudo deu certo.
Algumas semanas depois decidi gravar outras musicas no meu iPod Shuffle e para minha surpresa não consegui apagar nenhum arquivo, sempre que tentava tal operação recebia a mensagem 'wrong songnum, quitting'...
Comecei a procurar pela web alguem que tivesse sofrido o mesmo problema e nada!
Então, se você está com essa significativa mensagem em sua tela, não hesite... faça o download do Floola... Ele não só tem uma interface mais amigavel... como corrige a merda que o Yamipod fez.

Segue a url do bicho...

http://www.floola.com/modules/wiwimod/

Terça-feira, Outubro 30, 2007

Dark Passion Play

É isso aí moçada, Tarja Turunen vazou no milharal... e quem a substituiu foi uma tal de Anette.
Muita gente não gostou, eu não gostei pra falar a verdade. Bom, num primeiro momento a voz dela parece com a da Britney Spears, depois com a da loirinha do ABBA (que inclusive foi o primeiro CD que a Anette comprou)...

Massss.. depois de ouvir o CD Dark Passion Play umas 40 vezes você acostuma com a voz dela e digo mais... passa até a gostar.
Pra quem nunca viu a cara da maluca, confiram aí:



Agora o seguinte... Nightwish é Nightwish... a banda, sonoridade continua fantástica...
Na hora de comprar o album tira o escorpião do bolso e pega o album com o CD duplo.
No disco 1 tem as músicas versão normal e no disco 2 tem as músicas só instrumental.
Tão bom quanto ouvir a voz de Anette... é ouvir o disco instrumental, sem a voz de Anette!

Comprem aí:
http://www.nwshop.fi/productinfo.cfm?tuotenumero=196564&lang=pt

PS3 for Dummies

Tenho dó dos sobrinhos que pedem um PS3 pras suas tias...

Segunda-feira, Junho 04, 2007

Sempre ativo na interzona

Eu tô bem na minha altura

Onde na fadiga do vento

É que o veneno circula

E o remédio nem deve saber

Que acabou o descanso

Pra encontrar a cura

Fêmea soñadora, seus devaneios

Me faz ver através das portas

E até atravessar espelhos

Tô no caminho do Blunt of Judah

Pra ficar sonhando depois que acordar

Interado com fumaça ativa

Flutuando sem nenhuma esteira

Em plena menção sativa

Escaneando o dia

Revelando a seqüência inteira

Se ligando pelos olhos e ouvidos

Verdadeira Odisséia na cera

Sempre ativo na interzona

Janela viva e acesa

Via erva santa sem amônia

Tô no caminho do Blunt of Judah

Pra ficar sonhando depois que acordar

O vermelho e o amarelo

Na quentura do véu

A fumaça era grande

E sumia no céu

Iluminismo no dubismo dos zumbis

A Babilônia não está tão longe

Pela quantidade que se consome

O paraíso dessa vez vem logo

Como um lugar sem nome

Tô no caminho do Blunt of Judah

Pra ficar sonhando depois que acordar

Quinta-feira, Outubro 26, 2006

Top of Mind: "Frases Sem Sentido"

"É uma lenda de aventuras reais-hiper-reais que são como uma saga de Bob Dylan selvagem tropical titânico do âmago das coisas." - Jorge Mautner - Comentando a música Caneco 70 do Nando Reis

Sexta-feira, Outubro 06, 2006

Os mercadores de almas

Vaticano pode abolir idéia de 'limbo'

O papa Bento 16 teria dito que o 'limbo' não passa de uma 'hipótese'
Uma comissão de teólogos católicos deverá recomendar ao papa Bento 16 nesta sexta-feira que o conceito de limbo seja abandonado.


Os teólogos estão reunidos no Vaticano nos últimos dias para discutir o limbo que, de acordo com a tradição, é algum lugar entre o paraíso e o inferno e é ocupado por almas de crianças que morreram sem batismo e pessoas boas que viveram antes de Cristo.
O próprio papa Bento 16 rejeitou a noção de limbo, dizendo se tratar de uma mera "hipótese".
Há sugestões de que a possível mudança seja uma tentativa de impedir que fiéis de países com alto índice de mortalidade infantil optem pelo islamismo, que afirma que os bebês natimortos vão direto para o paraíso, disse o repórter da BBC, Rahul Tandon.
Mas o teólogo católico John MacDaid rejeitou essa possibilidade. "Eu acho que não há nenhuma rivalidade aqui", afirmou o padre.


"O que eu diria a qualquer pai ou mãe que perde uma criança e que está preocupado com o destino daquela criança é que nós precisamos ter confiança absoluta de que aquela criança agora foi acolhida por Deus no paraíso."

Matéria copiada do site da BBC
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/10/061006_limbo_papa.shtml

Se há algo que me impressiona no catolicismo é a capacidade de "negociar" a fé. É algo como: "se isto não me convém nesta religião, basta mudar..." ou "estamos perdendo 'mercado' para o islamismo (ou para os chamados 'crentes' ou para os espíritistas)".
A sensação que tenho é que não cumpre o papel de '(re)ligação com Deus' (religião).... pois não promove a evolução moral do fiel, apenas o arrebanha!
O documentario "Sexo, crimes e o Vaticano" me deixou perplexo....
Mas, não dá pra discutir essas coisas, não é mesmo?
A fé não se discute... não é esse o pensamento no século XVI ?? "à ciência cabe explicar as coisas que compreendemos e à religião aquilo que foge à nossa intelectualidade".

Santa ignorância!
Amém!

Terça-feira, Setembro 12, 2006

Perspectiva

Rastejando no chão sob toneladas de quilolitros de água, as mais estranhas formas de vida...
miseráveis criaturas mergulhadas em breu infinito... onde nem a luz penetra.
em frio, constante!
Vencidas apenas pelas escassas redes... ou por inimigos em mesmas condições.
Visitadas por raríssimos escafandros!
Pobres seres....

Enquanto nós? Julgamos!
Nós que também estamos sob força de 9,80665 metros por segundo ao quadrado...
E milhões de toneladas de ar sob as costas...
Rastejando... sob a crosta.
Nós, as mais estranhas formas de vida.... miseráveis criaturas que vivem em breu psíquico absoluto... em frio constante!!!
Nós, sim! Vencidos diariamente pelas incontáveis redes de torpeza, perfídia e lascívia... ou por nossos piores inimigos: nós mesmos.
Visitados por raríssimos momentos de lucidez e paz.
Pobres seres humanos.

Sexta-feira, Junho 16, 2006

O Salto

As ondas de vaidade inundaram os vilarejos
E minha casa se foi como fome em banquete
Então sentei sobre as ruínas
e as dores, como o ferro, a brasa e a pele, ardiam
como o fogo dos novos tempos

E regaram as flores do deserto
E regaram as flores com chuva de insetos

Mas se você ver em seu filho uma face sua e retinas
de sorte e um punhal reinar como o brilho do sol
O que farias tu?
Se espatifaria ou viveria, o espírito santo?

Aos jornais eu deixo meu sangue como capital,
E às famílias um punhal à corte eu deixo um sinal...

E regaram as flores do deserto
E regaram as flores com chuva de insetos

Marcelo Falcão.

Quinta-feira, Maio 18, 2006

Mídia, política, violência e politicagem

A reportagem abaixo foi retirada do site da Folha de S. Paulo.
Realmente me surpreendi com Cláudio Lembo (apesar de ser PFL), governador do estado. Me pareceu pessoa sensata, centrada e responsável.
Pra falar a verdade, tenho acompanhado um pouco da história política dele.... muito interessante.

É fácil viver quando tudo está bem... não vou esquecer deste nome nas eleições em que ele for candidato.
Incluirei este nome nas minhas orações aos homens públicos... Sim! Eles não precisam de mais críticas, mas de orações.... pois que estão no meio mais corruptível que existe na Terra.
Que eles não caiam em tentação... que não se tornem cegos ou esqueçam suas origens.

Em 18/05/2006
Burguesia terá de abrir a bolsa, diz Lembo
MÔNICA BERGAMO
Colunista da Folha de S.Paulo

O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, afirma que o problema de violência no Estado só será resolvido quando a "minoria branca" mudar sua mentalidade. "Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa", afirmou. "A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações."

Lembo criticou o ex-governador Geraldo Alckmin, que disse que aceitaria ajuda federal contra as ações do PCC se ainda estivesse no cargo, e o ex-presidente FHC, que atacou negociação entre o Estado e a facção criminosa para o fim dos ataques. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Folha - Os jornais estão noticiando hoje [ontem] que houve uma matança em São Paulo na madrugada de terça. A polícia está sob controle ou está partindo para uma vingança?

Cláudio Lembo - A polícia está totalmente sob controle. Eu conversei muito longamente com o coronel Elizeu Eclair [comandante-geral da PM] e estou convicto de que ela está agindo dentro dos limites e com muita sobriedade. Todas as noites há confrontos nas ruas da cidade e esses conflitos foram exasperados nesses dias. Mas vingança, não. A polícia agiu para evitar o pior para a sociedade.

Folha - Foram 93 mortes. Elas estão dentro dos limites? O senhor tem segurança que todos que morreram estavam em confronto?

Lembo - E o conflito que houve da cidade com a bandidagem? Foi violento. É possível que tenha havido tragédias, mas pelo que estou informado não houve nada que fosse além dos confrontos diretos.

Folha - Só no IML (Instituto Médico Legal) estão 40 mortos e não se sabe nem o nome dessas pessoas.

Lembo - Os nomes vão ser revelados. Estamos resolvendo questões burocráticas, de identificação, mas vão ser revelados.

Folha - Jornalistas da Folha entraram no IML e viram fotos de pessoas mortas com tiros na cabeça. Que garantia a sociedade tem de que não morreram inocentes e de que o Estado, por meio da polícia, não está executando essas pessoas?

Lembo - Não está, de maneira alguma. E digo a você: fui muito aconselhado a falar tolices como "aplique-se a lei do Talião". Fui totalmente contrário. Faremos tudo dentro da legalidade e do Estado de Direito.

Folha - O senhor não se assusta com o número de mortos?

Lembo - Eu me assusto com toda a realidade social brasileira. Acho que tudo isso foi um grande alerta para o Brasil. A situação social e o câncer do crime é muito maior do que se imaginava. Este é o grande produto desses dias todos de conflito. Nós temos que começar a refletir sobre como resolver essa situação, que tem um componente social e um componente criminoso, ambos gravíssimos. O crime organizado trabalha com a droga. A droga é um produto caro, consumido por grandes segmentos da sociedade. Enquanto houver consumidor de drogas, haverá crime organizado no tráfico. É assim aqui, na Itália, nos EUA, na Espanha. O crime se alimenta do consumidor de drogas.

Folha - E da miséria...

Lembo - Talvez no Brasil tenha esse componente também. O crime organizado destruiu valores. O Brasil está desintegrado. Temos que recompor a sociedade. A questão social é muito grave.

Folha - O senhor é um homem público há tantos anos, está num partido, o PFL, que está no poder desde que, dizem, Cabral chegou ao Brasil.

Lembo - Essa piada é minha.

Folha - O que o senhor pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em ambientes violentos da periferia? Que ele vai ter escola? Saúde? Perspectivas de emprego? Como afastá-lo de organizações criminosas como o PCC?

Lembo - Acho que você tem duas situações muito graves: a desintegração familiar que existe no Brasil, e a perda... Eu sou laico, é bom que fique claro para não dizerem que sou da Opus Dei. Mas falta qualquer regramento religioso. O Brasil está desintegrado e perdeu seus valores cívicos. É ridículo falar isso mas o Brasil só acredita na camisa da seleção, que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais...Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.

Folha - Que ficou assustada nos últimos dia.

Lembo - E que deu entrevistas geniais para o seu jornal. Não há nada mais dramático do que as entrevistas da Folha [com socialites, artistas, empresários e celebridades] desta quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vai fazer protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras figuras da política brasileira fazer o bom jantar.

Folha - Tomar conhaque de R$ 900 [preço de uma única dose do conhaque Henessy no restaurante Fasano].

Lembo - Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este país.

Folha - O senhor acha que essas pessoas são responsáveis e não percebem?

Lembo - O Brasil é o país do duplo pensar. Conhecemos a inquisição de 1500 até 1821. Então você tinha um comportamento na rua e um comportamento interior, na sua casa. Isso é o que está na sociedade hoje. Essas pessoas estão falando apenas para o público externo. É um país que é dúbio.

Folha - Onde o senhor responsabiliza essas pessoas?

Lembo - Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala. A casa grande tinha tudo e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando os escravos foram libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos, como aconteceu nos EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O cinismo nacional mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa a quem doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai construir este país.

Folha - Mas qual é, objetivamente, a responsabilidade delas nos fatos que ocorreram na cidade?

Lembo - O que eu vi [nas entrevistas para a Folha] foram dondocas de São Paulo dizendo coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos. Querem estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. Isso não vai ter aqui nesses oito meses [prazo que resta para Lembo deixar o governo]. A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações.

Folha - O senhor diria que elas pensam que aquele rapaz de 15 a 24 anos, que vive perto da selvageria...

Lembo - ...pode ser o Bom Selvagem do Rosseau? Não pode.

Folha - O endurecimento na legislação pode resolver o problema?

Lembo - Transitoriamente pode resolver. Mas se nós não mudarmos a mentalidade brasileira, o cerne da minoria branca brasileira, não vamos a lugar algum.

Folha - O senhor diz que muita gente falou besteira sobre os episódios. Dos EUA, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a possibilidade de o governo ter feito acordo com os criminosos para cessar a violência.

Lembo - Eu acho que o presidente Fernando Henrique poderia ter ficado silencioso. Ele deveria me conhecer e conhecer o governo de SP. Eu não posso admitir nem a hipótese de se pensar isso. Para opinar sobre um tema tão amargo, tão grave, ele teria que refletir, pensar. E se informar. Quanto ao presidente [FHC], pode ser que eventualmente ele tenha precedente sobre acordos. Eu não tenho.

Folha - Vimos o senhor dando muitas entrevistas na TV. Mas SP teve um outro governador [Alckmin], tem um candidato ao governo e ex-prefeito [Serra]. O senhor ficou sozinho?

Lembo - No poder, um homem é absolutamente solitário. Houve momentos em que praticamente fiquei sozinho. Mas devo agradecer a Polícia Militar e a Polícia Civil também, que estiveram firmes ao meu lado.

Folha - O ex-governador Alckmin telefonou para o senhor em solidariedade?

Lembo - Dois telefonemas.

Folha - O senhor achou pouco?

Lembo - Eu acho normal. Os pulsos [telefônicos] são tão caros...

Folha - E o candidato José Serra?

Lembo - Não telefonou. Eu recebi telefonema da governadora Rosinha [do Rio de Janeiro] e de Aécio Neves [governador de MG], que estava em Washington, ele foi muito elegante. Um ofício do governador Mendonça, de Pernambuco. Recebi muitos apoios, do Poder Judiciário, e a Assembléia Legislativa, deputados de todas as bancadas, nenhum partido faltou.

Folha - As autoridades paulistanas garantiram, nos últimos anos, que o PCC estava desmantelado, que era um dentinho aqui ou ali. Elas enganaram os paulistanos?

Lembo - Não saberia responder. Eu não engano. Eu acho que nós ganhamos uma situação mas é um grande risco. Temos que ficar muito atentos.

Folha - Essas autoridades garantiram que o PCC tinha acabado. Ou elas enganaram...

Lembo - Ou o dentinho era maior do que elas diziam.

Folha - Ou foram incompetentes. O senhor vê terceira alternativa?

Lembo - Pode ser que tenham sido exageradas no momento de transferir segurança. Quiseram ser tranquilizadoras.

Folha - Então elas iludiram as pessoas?

Lembo - É possível.

Folha - O senhor pode dizer que o PCC pode acabar até o fim de seu governo?

Lembo - Só se eu fosse um louco. E ainda não estou com sinal de demência. Acho que o crime organizado é perigosíssimo. Ele se recompõe porque ele tem possibilidades enormes na sociedade.

Folha - O ex-presidente Fernando Henrique não telefonou?

Lembo - Não, não. Ele estava em Nova York. O presidente Lula telefonou, foi muito elegante comigo. Conversei muito com o presidente, ele me deu muito apoio. E o Márcio [Thomaz Bastos] veio, conversamos firmemente, com lealdade. E ele chegou à conclusão que não era necessário nem Exército nem a guarda nacional. Tivemos uma conversa responsável, e o equilíbrio voltou. Mostrei que a Polícia Civil e a Polícia Militar tinham condições de fazer retornar a SP a ordem e a disciplina social.

Folha - O Datafolha mostrou que 73% acham que o senhor deveria ter aceitado ajuda federal. O governador Alckmin disse que não rejeitaria a ajuda.

Lembo - Ele decidiria, se fosse governador, como achava melhor. Eu decidi da forma que achei melhor. Quanto às outras pessoas, faltou clareza de informação da minha parte. E aí me penitencio. Não é que não aceitei ajuda do governo. Ao contrário. Desde sempre houve vínculo forte entre o sistema de informação da polícia federal e a polícia de SP. A superintendência da PF em SP foi extremamente leal, solícita e dinâmica.

Eu tinha uma Polícia Militar muito aparelhada. Eu não poderia tirar esse respeito e esse moral que a tropa tinha que ter naquele momento tão difícil aceitando tanques de guerra do Exército. E aí uma sociedade que gosta de paternalismo, como a brasileira, queria Exército, tropas americanas, tropas alemãs, tropas de todo o mundo aqui. Não é assim.

Temos que ser fortes, saber decidir em momentos difíceis e dar valor ao que é nosso. Foi o que fiz. Em 48 horas liquidou-se o problema. O Exército é para matar o adversário. Eu queria recolher os adversários possíveis. Nós estávamos num conflito social.